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Esclarecimento a respeito de pronunciamento da chapa Universidade em Movimento no debate entre chapas do DCE organizado pelo CAF – Centro Acadêmico de Filosofia, da FFLCH.

Nós, da chapa Universidade em Movimento, vimos por meio desta nota esclarecer nossa posição a respeito do que foi dito no debate entre chapas organizado pelo CAF.

Felizmente – porém não graças à maioria das chapas – a discussão a respeito da situação da mulher dentro e fora da Universidade vem permeando grande parte dos últimos debates entre chapa.

No último, fizemos uma pergunta relativa ao assunto à chapa Não Vou Me Adaptar, tendo em vista que em sua carta programa reivindicam a Frente Feminista e a luta contra opressões em geral.

Perguntamos: 1) Como eles iriam construir a Frente Feminista se os setores que compõem a chapa não a construíram e praticamente não construíram o I Encontro de Mulheres da USP; 2) Se tal posição era fruto de uma auto-crítica, tendo em vista o item 1; 3) Como iriam construir a luta contra as opressões se em lugares como São Carlos, setores da chapa Não Vou Me Adaptar (mais especificamente o MES (Movimento Esquerda Socialista, ou Juntos!), uma das correntes do PSOL) conseguem votos justamente com apoio de estudantes da Atlética e do GAP (Grupo de Apoio à Putaria), grupos que organizam o Miss Bixete durante a calourada.

O Miss Bixete é um evento em que se contrata uma prostituta para ficar em cima do palco do CAASO (Centro Acadêmico que representa o campus de São Carlos) com uma camiseta escrito “Arquitetura” (já que é o curso com mais mulheres, e um dos primeiros a boicotar o Miss Bixete), coagindo calouras a fazerem como ela e tirarem a camiseta.

O Coletivo de Mulheres do CAASO, o qual temos muito orgulho de construir – mas que é sumariamente ignorado e boicotado pelas e pelos companheiros do MES -, já faz, há pelo menos 4 anos, intervenções no Miss Bixete. Este ano, uma das intervenções foi com uma música, que dizia “a cada 20 segundos, uma mulher é espancada”.

Citamos essa música pois a resposta que se ouviu dos estudantes que participavam do Miss Bixete foi: cantavam a mesma música, e logo em seguida davam tapas na bunda de colegas.

Nesse sentido, temos certeza que é extremamente importante, e nosso dever enquanto feministas, que cobremos coerência das companheiras e companheiros, que se dizem de esquerda, e que se dizem os melhores para estar à frente de nosso DCE no ano de 2012.

Para além desses fatores, quando foi feita a pergunta no debate entre chapas, recebemos a seguinte resposta do debatedor da Não Vou me Adaptar: “nossa luta prioritária é contra a direita, depois discutimos outras questões”. Caso haja alguma dúvida, ao menos 100 pessoas estavam lá no momento e escutaram tal declaração.

Nós sabemos que muitos grupos de esquerda secundarizam a pauta feminista, que a colocam com uma pauta menos importante frente ao “mal maior” (a luta de classes – como se uma coisa estivesse separada da outra). Nunca imaginamos que escutaríamos isso com todas as letras, com tanta clareza, e de maneira tão cínica, de militantes que dizem lutar pelos direitos das mulheres.

Como se dá a luta contra a direita, afinal? Da maneira como falam, não lutaremos por nada que não seja o combate abstrato à direita que tanto pregam. Não lutaremos por permanência estudantil, porque isso não é, teoricamente, combate à direita. Não lutaremos por cotas raciais e sociais porque isso não bate diretamente na direita.

O que bate na direita, então?

A luta pela descriminalização e legalização do aborto, contra a Frente Parlamentar contra o Aborto, não é uma luta contra a direita? Não é uma forma de combate aos setores mais conservadores e retrógrados de nossa sociedade?

Como esse grupo, que se diz de esquerda e inserido nas lutas sociais, pretende combater a direita se não consegue aplicar esse programa de combate na realidade concreta do povo brasileiro?

Agora, estamos sendo acusados de calúnia. Dizem que afirmamos que o MES contratou prostitutas em São Carlos (uma militante do MES, inclusive, após o debate, foi atrás da debatedora da UeM ameaçá-la, aos gritos, afirmando isso, tendo nossa militante que ser praticamente escoltada). O que dissemos foi que a chapa Não vou me adaptar é eleita COM APOIO dos grupos que organizam o Miss Bixete. E isso, companheiros, não é uma calúnia, é uma realidade.

Dizem, agora, que esse “não é um debate político”. Gostaria que nos dissessem o que é mais político do que debater com base na realidade. Não adianta nada lermos tudo o que foi escrito sobre feminismo se não conseguimos aplicá-lo em nossa realidade.

Infelizmente, o que vemos por parte do grupo criticado não é nenhuma ação referente ao combate ao machismo. Para além da não participação nos espaços da Frente Feminista, o CAASO (do qual o MES/Juntos! é parte da diretoria) ainda cedeu seu espaço para a realização do Miss Bixete e criticou o Coletivo de Mulheres por fazer intervenções no evento. Para nós, se não há combate, compactua-se. E, para nós, compactuar com o machismo é compactuar com a direita que tanto dizem combater.

Esperamos, com essa nota, esclarecer nossa colocação no debate entre chapas, e evitar distorções oportunistas que têm como objetivo único despolitizar o debate e colocar o setor criticado como “coitado”.

O debate feminista é prioritário para nós, e ele é, sim, político; e, se depender de nós, ele continuará a ser feito exaustivamente, até que consigamos extinguir o machismo de nossa sociedade, dentro e fora da esquerda.

Universidade em Movimento

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