– Conselho Central de Cultura e Extensão

Em 27/06/13 tivemos a primeira reunião do Conselho Central de Cultura e Extensão. Infelizmente não estavam presentes os Representantes Discentes Bruno Zaidan, Anderson Reis Rosa e Jonathan da Silva. Somando-se ao fato de que aquela foi a primeira reunião e eu ainda não estava familiarizada com o funcionamento do órgão, a ausência dos colegas impossibilitou intervenções articuladas, as quais eu espero que possam ser feitas a partir das próximas.

Com seu bonito discurso, a Pró-Reitora de Cultura e Extensão Maria Arminda iniciou a reunião, apresentando, entre versos e citações, as características gerais dos projetos de extensão que se inscreveram no Programa Aprender com Cultura e Extensão (o qual é bem controverso, mas tratamos disso depois), assim como ressaltou o caráter internacional da universidade e a necessidade de um trabalho maior para a sistematização dos dados das atividades que estão sendo realizadas.

Nos foi mostrado que, dos 261 projetos inscritos, 83% foram na área de difusão e intercâmbio cultural e científico. Além disso, houve muitos projetos de fomento com instituições estrangeiras, que mostra que a área da cultura e da extensão é bem internacionalizada.

Maria Arminda falou também que, apesar de os dados serem imprecisos, 30% dos estudantes da USP não consegue ler nem um livro inteiro por ano e que 90% dos alunos não vai a museus. A USP não gosta de tocar nesses dados porque tem orgulho da universidade, então só se vê o lado excelso (palavra dela!) e não se veem os outros. Ademais, afirmou que a estrutura da universidade tem que mudar, pois ela não se adaptou aos tempos que mudaram; precisamos pensar instituições mais ágeis para serem compatíveis com o dever da universidade de formar alunos para a cultura, para o respeito aos direitos.

Falou-se também sobre a feira de profissões, que vai acontecer em 8,9 e 10 de agosto. Esse é um instrumento importante do ponto de vista das ações afirmativas, das quais a universidade tanto precisa. “É o mínimo civilizatório pensar em ações afirmativas e a feira de profissões é uma delas porque muitos alunos tiveram conhecimento dos programas de inclusão da USP por causa da feira.” Aqui também se estabelece outro problema, que é a consolidação de ideias sobre ações afirmativas com as quais nem nós nem o movimento negro concordamos.

Dito tudo isso, começaram as votações dentro das pautas propostas. O sistema de votação é bem bizarro, demonstrando que muitos professores só estão no CoCex para referendar decisões que, na verdade, já foram tomadas, pois na primeira votação, assim como nas outras, eu me abstive e a pró-reitora pensou ter havido um erro na máquina e perguntou se queríamos votar de novo. Nessas votações eu me abstive em praticamente todas, tanto por não conhecer o conteúdo dos editais e relatórios que estavam ali para aprovação, quanto por não concordar que muitos deles sejam, de fato, sobre extensão, a exemplo de um termo de Convênio entre a USP e a Alpha BR Produtos Químicos LTDA, para “desenvolvimento de uma Rota para Síntese do Fármaco Cloridrato de Remifentanila.” Isso demonstra que a disputa pelo conceito de extensão popular e freiriana no qual acreditamos ainda será muito árdua; sorte a nossa que ninguém disse mesmo que seria fácil. Confesso que foi desolador ver que, enquanto muitas universidades têm programas de extensão tão avançados, a USP ainda trata a extensão como um guarda-chuva sem sentido onde entra tudo que não é nem ensino nem pesquisa. Então, essa é a hora de articularmos os coletivos de extensão popular para tentar incidir melhor nessa disputa, seja ela entre os alunos, seja nos órgãos deliberativos. Para isso, estamos rearticulando o Fórum de Extensão da USP e agregando grupos que quiserem se juntar a nós. Nossa próxima reunião será no dia 28 de julho, em horário e local a definir, e quem quiser participar com seu coletivo, é mais que bem-vindo. Já tivemos a primeira reunião dessa nova articulação, entre Escritório Piloto e Educar Para o Mundo (o coletivo do qual eu faço parte) e saímos com ideias muito interessantes, entre elas tentar pautar, com todxs xs representantes discentes, inclusive dos outros órgãos, a defesa da extensão popular e que eles “assumam publicamente” esse compromisso.
Além do conceito “indefinido” de extensão, outra dificuldade da reunião é que há muitos termos, siglas e departamentos com os quais eu não estou familiarizada, e acredito que os outros representantes também não estariam, então penso em articular com os estudantes de Relações Internacionais que trabalham na Pró-Reitoria de Cultura e Extensão para termos uma conversa, na qual eu possa saber um pouco mais do funcionamento do órgão. Também penso em articular com professores parceiros da extensão e que estão nesse órgão colegiado, como o Reinaldo, da ITCP, e Deisy, do Educar para o Mundo.

Foi mencionada a dificuldade de se estabelecerem critérios de avaliação para a extensão, com o que eu concordo (mas por motivos diferentes dos apresentados pela institucionalidade da USP), pois avaliação quantitativa não seria suficiente para medir a efetividade de um coletivo ou projeto de extensão, mas por outro lado, como medir a “emancipação das classes oprimidas”? Clóvis, assessor da pró-reitora perguntou como fazer uma avaliação numérica precisa de uma área que nem definição de suas atividades tem. Nisso, eu discordo totalmente, uma vez que é muito claro o que é extensão, através de diretrizes nacionais, da literatura e do acúmulo de muitas outras universidades, então o problema não é esse. O problema é que é muito mais fácil colocar na caixa da extensão, por não se tratarem nem de ensino nem de pesquisa, várias atrocidades à universidade pública, como a maioria das empresas júniores, cursos de língua elitistas e até cursos de MBA, que se utilizam da estrutura pública e de seus professores para produzir lucros e alimentar o capital internacional. Inclusive, essa visão de colocar na parte da extensão o que não é ensino ou pesquisa foi dito de forma muito explícita por um professor participante do CoCex. Clóvis disse que também teve dificuldade em produzir o relatório sobre quais serviços a universidade presta. Sim, a pró-reitoria ainda tem a visão de que extensão é uma mera prestação de serviços, um assistencialismo. Um mínimo de leitura de Paulo Freire o faria ver que extensão é diametralmente oposta à prestação de serviços, que extensão é trabalho de parceria franca, dialógica e horizontal com as classes oprimidas, visando a emancipação de ambos os lados em diálogo; não estamos levando um serviço.

É companheiroxs, a luta será grande, mas estamos aqui para lutar. E lutaremos juntos, pois como já disse o grande Freire, “ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo.”.

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