Universidade em Movimento – Por uma USP Popular

Falo somente para quem falo:
Para quem padece sono de morto
E precisa um despertador
acre,como o sol sobre o olho.

(João Cabral de Melo Neto)

Quem somos?

Somos um grupo de estudantes que atua no Movimento Estudantil da USP desde o ano passado, tentando, através da luta real e de pautas concretas, avançar na construção de um movimento estudantil que consiga colocar a Universidade em Movimento e construir uma Universidade Popular. Somos também, uma das chapas concorrentes para o processo de eleição do DCE Livre da USP Alexandre Vanucci Leme 2013.

Movimento Estudantil e Universidade

Para nós, a concepção de movimento estudantil parte de um pressuposto fundamental: não é uma suposta direção ou radicalidade que define nossa força. A nossa força e a nossa capacidade de obter conquistas consiste e reside justamente no número de pessoas que acreditam, constroem e se mobilizam, junto de suas entidades (DCE e Centros Acadêmicos), na busca por mudanças.

É de grande importância um movimento convidativo, construído coletivamente e de forma plural, de modo a agregar, e não afastar, a maioria dos estudantes. Para isso é fundamental que o DCE esteja articulado aos Centros Acadêmicos – presentes no cotidiano dos cursos e ligados às demandas, pautas e necessidades dos estudantes -, procurando viabilizar que a maioria participe e apoie o movimento. Enfim, o DCE deve articular os estudantes, colocá-los em movimento na busca pela transformação da nossa universidade, não apenas na FFLCH e no Butantã, mas em todos os cursos e campi.

A USP sempre se configurou enquanto um lugar apenas para setores restritos da sociedade e têm intensificado e acirrado seu viés elitista, mercadológico e produtivista. Nos últimos anos vemos o aumento das fundações privadas realizando parcerias com institutos e faculdades, bem como uma maior centralização do poder universitário na figura do Reitor. Rodas não têm poupado meios para concretizar esse projeto de universidade elitista: utiliza desde veículos oficiais da Universidade, como o USP Destaques, para propagandear seu projeto político, até a violência policial e expulsões, processos e punições baseadas em um regimento disciplinar da época da ditadura, para reprimir seus opositores.

A estrutura de poder na USP não só possibilita como favorece esse autoritarismo. A luta por uma Estatuinte, que pense um novo estatuto e democratize sua estrutura, é uma bandeira histórica. Especialmente agora com a proximidade das “eleições” para Reitor em 2013, essa discussão ganha notável importância, sendo fundamental uma intervenção unificada do movimento estudantil, junto aos trabalhadores e professores.

Nos últimos tempos, entretanto, vimos um movimento estudantil de minorias, segregado e segregador, que não alcança conquistas concretas capazes de alterar a atual realidade da USP. Muitos estudantes se perguntam, ainda, para que serve a entidade geral dos estudantes. Alguns sequer sabem onde se localiza a sede, se o DCE organiza ou não atividades durante o ano, se podem participar das reuniões ordinárias, dos fóruns, etc..

Uma gestão de continuidade não poderá mudar esse cenário. A gestão Não Vou Me Adaptar, que se lança à reeleição, e da qual fazem parte os principais grupos que dirigem o DCE da USP desde 2008, empenhou-se muito mais em construir pautas que ela própria considerava importantes, ignorando o espaço coletivo, os centros acadêmicos e estudantes. Exemplos não faltam: os Conselhos de Centros Acadêmicos (CCA), com propostas já fechadas e acordadas entre os grupos antes de chegarem aos espaços de deliberação – tal qual a própria programação do XI Congresso -, cujas pautas sequer são enviadas com antecedência para os CAs – dificultando, assim, a discussão com as bases dos cursos -; o pouco empenho em organizar os atos do começo do ano durante os julgamentos dos estudantes processados; as perguntas prontas para o Plebiscito ao invés de serem construídas no CCA junto dos CAs; e muitos outros.

Novas práticas dentro do movimento estudantil são necessárias, com a construção de pautas reais e concretas, e preocupação constante pelo envolvimento da maioria da comunidade universitária. Somente assim poderemos conseguir vitórias e alterar a universidade, construindo uma USP Popular que produza conhecimento ligado aos interesses da sociedade, de maneira livre e autônoma.

Propostas e bandeiras

O DCE deve impulsionar e defender algumas bandeiras e pautas, bem como adotar medidas concretas sobre seu próprio funcionamento, que contribuam para alcançarmos esse movimento estudantil de maiorias e uma Universidade Popular:

  • Democracia na USP. O DCE, Centros Acadêmicos, estudantes em geral, professores e funcionários precisam conseguir lutar pela democratização da USP, tanto das suas estruturas internas quanto de sua composição e funcionamento.
  • Estatuinte paritária, livre e soberana, formada pelos três setores que constroem a USP (professores, funcionários técnico-administrativos e estudantes).  Impulsionando a democratização na gestão universitária.
  • Por uma Comissão da Verdade da USP. Acreditamos que revisitar nosso passado e honrar a memória daqueles que foram presos, torturados e desapareceram na luta pela democratização do país e na construção de outro Brasil é tarefa fundamental e passo essencial para não permitimos que isso ocorra novamente. Defendemos que o DCE construa ativamente essa campanha, bem como o Fórum pela Democratização da USP.
  • Fim dos processos, punições e perseguições políticas. A USP hoje processa e criminaliza dezenas de estudantes, professores e funcionários que se mobilizaram por uma universidade diferente. Os julgamentos acontecem de maneira duvidosa e muitas vezes com pouca transparência, com base em um dos resquícios da ditadura militar na USP, o artigo 249 do decreto 52.906, promulgado em 1972. O ambiente universitário deve ser o de livre troca de ideias e de possibilidade de divergências.
  • Desmilitarização da PM. Até a ONU reconhece que a PM brasileira tem práticas similares aos “esquadrões da morte”. Ao invés de cumprir o papel de segurança, funciona muito mais como instrumento repressor, principalmente na periferia. A recente ocupação da favela de São Remo evidencia a violência com que a polícia e o governo do estado de São Paulo tratam a camada mais pobre e negra da população. Queremos nos articular com movimentos de fora da universidade numa campanha contra a violência policial e pela desmilitarização da PM.
  • Campanha por permanência universitária. É tarefa do movimento estudantil reivindicar que a instituição garanta a manutenção dos estudantes. Por isso defendemos a construção de uma campanhacoletivamente, com demandas e pautas claras e objetivas conquistando da reitoria melhoras, bem como um Encontro de Associações de Moradia.
  • Incentivo e valorização da Extensão Universitária. A produção de conhecimento na Universidade deve atender as demandas do povo, por isso sua produção deve estar ligada aos interesses e necessidades dele. Defendemos a extensão universitária, eo Fórum de extensão que congrega os grupos que fazem extensão na USP .
  • Cotas Raciais e Sociais enquanto medida fundamental para realizarmos justiça social e racial, bem como reparação histórica, proporcionando, ainda, um ambiente universitário mais plural e democrático. Total apoio e construção conjunta ao Núcleo de Consciência Negra e à Casa de Cultura Negra.
  • Ocupação Física do Espaço do DCE – incentivo a ocupação da sede do DCE com a sua abertura, fazendo dele espaço de convivencia entre os estudantes, além da realização de festas e saraus no espaço, por exemplo.
  • Política Financiera do DCEPrestação de Contas semestral, disponibilizando os valores arrecadados pela contribuição dos CAs, além de realização de festas, venda de cervejas e de materiais como camisetas do DCE “Alexandre Vanucchi Leme” para o financiamento da entidade.
  • Conselhos de Centros Acadêmicos- Esse é um espaço fundamental do Movimento Estudantil, pois proporciona a troca de realidades e construção coletiva entre diversas entidades e campi. Defendemos que deve ser rotativo, com política de financiamento para a participação dos CAs e que as pautas sejam enviadas com antecedência.
  • Festival de Arte e Cultura – Forma de apropriação dos diferentes espaços da USP e de difusão da arte e da cultura realizada pelos estudantes, professores e funcionários da USP e das comunidades próximas.
  • Por uma política de comunicação entre DCE, estudantes e CA’s. Defendemos a criação de um Jornal do DCE que publique textos, charges e artigos de quaisquer estudantes, atualizações permanentes no Site e páginas de internet disponibilizando informações, atas e notícias para todos os estudantes.

Essas são algumas de nossas propostas para o DCE.

Converse com seus colegas de classe, leia nosso programa, acesse nosso blog, nos procure e participe das Eleições para DCE 2013 nos dias 27, 28 e 29 de Novembro!

                Por uma Universidade em movimento!
Por uma USP Popular!


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Publicado em 13/11/2012, em Uncategorized. Adicione o link aos favoritos. 3 Comentários.

  1. Seria bom se vcs publicassem os integrantes da chapa……

  2. “Ao invés de cumprir o papel de segurança, funciona muito mais como instrumento repressor, principalmente na periferia.”

    KKKKKKKKKKKK
    Que piada.

    Quem não gosta de polícia, é mesmo bandido.

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