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Mais um ataque ao Núcleo de Consciência Negra na USP

Nota do Núcleo de Consciência Negra da USP sobre mais um ataque ao local. Devido ao desmoronamento parcial feito a mando da reitoria (e sem nenhum tipo de aviso prévio), vários objetos e aparelhos foram roubados, causando um enorme prejuízo ao NCN.
Do facebook do NCN.

Mais um ataque ao Núcleo de Consciência Negra na USP

São Paulo, 23 de Julho de 2012

Os alunos, colaboradores e coordenadores do Núcleo de Consciência Negra (NCN) foram surpreendidos na última semana com a notícia de que o espaço ao lado do NCN, onde funcionava a vivência do Centro Acadêmico da Faculdade de Economia e Administração da USP (o CAVC), fora transferido para outro local e que haviam sido retiradas as telhas do barracão e parte das paredes na parte de cima, deixando um enorme buraco na parede que ligava as duas entidades.

A demolição parcial do barracão foi feita com ordens da COESF-USP e aconteceu sem que o NCN fosse comunicado e, por conta disso, a sede do NCN ficou vulnerável durante o fim de semana e o espaço fora violado, foram furtados vários equipamentos utilizados em sala de aula, dentre eles um retroprojetor, um computador e alguns aparelhos de DVDs. E agora, de quem é a culpa por isso?

Esse é o mais novo ataque que nossa entidade sofreu, mas não é o primeiro. No dia 21 de dezembro de 2011, o NCN foi surpreendido por uma tentativa de demolição do barracão, local onde desenvolve suas atividades no Campus Butantã da Universidade de São Paulo. Naquele momento o NCN conseguiu, através de mobilização política junto às entidades sindicais, estudantis, do Movimento Negro e Movimentos Sociais, garantir sua permanência.

O NCN se encontra em processo de negociação com a USP e por isso julgamos inexplicável que a universidade tenha cometido tamanha arbitrariedade.  O diálogo nunca foi fácil, pois o NCN é historicamente uma entidade que debate acadêmica e politicamente a situação do negro na nossa sociedade e, principalmente, questiona a ausência dessa parcela da população nas universidades públicas, principalmente na Universidade de São Paulo.

Esta é uma nota de denúncia, mas também uma convocação para todos aqueles que entendem a importância da continuidade das atividades do NCN,como a manutenção da Biblioteca Carolina Maria de Jesus, a continuidade do Curso Pré-Vestibular, que visa principalmente levar negros e pobres a ingressar em uma universidade pública, e o Curso de idiomas, que foi criado para dar às pessoas de baixa-renda, uma oportunidade de aprender um segundo idioma.

Contamos com o apoio e esperamos que mais entidades tomem para si esta luta. Convocamos o DCE, Centros Acadêmicos, a ADUSP, o SINTUSP, organizações do Movimento Negro, e demais entidades a somarem forças conosco numa grande campanha visando garantir a permanência do Núcleo de Consciência Negra na USP até vencermos a segregação racial das universidades brasileiras!

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Representantes Discentes – Universidade em Movimento

A eleição do DCE da USP é também a que aponta aqueles que serão nossos representantes nos conselhos decisórios de nossa Universidade. Os Representantes Discentes são eleitos de acordo com a votação de cada chapa.

Nós, do Universidade em Movimento, ocuparemos duas cadeiras no Conselho Universitário (CO) e duas no Conselho de Graduação (COG) neste ano de 2012.

Sabemos que a Representação Discente na USP está muito aquém das necessidades dos estudantes. A porcentagem de cadeiras oferecidas aos estudantes não chega nem perto do que é estabelecido pela Lei de Diretrizes e Bases  da Educação Nacional (LDB), que já seria pouco se comparado àquilo que consideramos ideal para uma Universidade verdadeiramente democrática. Porém, consideramos que, apesar de todos esses problemas, a Representação Discente é um importante espaço de atuação, já que pode ser um lugar de denúncia, além do fato de várias reformas/decisões passarem por esses conselhos, então é importante para que o ME esteja informado do que acontece nesses espaços da USP.

Por termos esse entendimento, consideramos que é preciso que os RDs estejam integrados ao restante do Movimento Estudantil. Colocaremos aqui, no blog, o relato das reuniões e da atuação dos RDs, para divulgar ao máximo o que acontece nesses fóruns.

Quaisquer dúvidas, é só nos mandar uma mensagem, pelo próprio blog, pelo e-mail (uspemmovimento@gmail.com), ou pelo facebook (http://www.facebook.com/universidadeemmovimento/).

Segue, abaixo, o nome dos titulares, bem como de seus suplentes.

Conselho Universitário (CO):

1º Titular:
Nome: Gabriela Nunes Machado
Curso/Unidade: Direito – FD.

1º Suplente:
Nome: Sthefane Lara Calazans Santana
Curso/Unidade: Pedagogia – FE

2ª Titular:
Nome: Gilberto Américo da Silva
Curso/Unidade: Bibioteconomia – ECA

2º Suplente:
Nome: Mariana Queen NwabasilI
Curso/Unidade: Jornalismo – ECA

Conselho de Graduação (COG)

1º Titular:
Nome: Carolina de Paula Peters
Curso/Unidade: Letras – FFLCH

1º Suplente:
Nome: Lissa Marchesini dos Santos
Curso/Unidade: Letras – FFLCH

2º Titular:
Nome: Camila Tamiris de Sousa
NºUSP: 6806927
Curso/Unidade: Fonoaudiologia – FOB

2º Suplente
Nome: Louise Estorani Mendes
Curso/Unidade: Direito – FD


Nota do Universidade em Movimento sobre o último CCA

O CCA (Conselho de Centros Acadêmicos), em tese, deveria ser um importante espaço de diálogo e troca entre os Centros Acadêmicos. Um espaço de construção coletiva dos rumos do movimento estudantil, entre aqueles que estão cotidianamente em contato com a realidade dos estudantes dos mais diversos cursos, da Letras à Engenharia de Produção. Infelizmente, o que vimos no último CCA passou longe disso.

Em primeiro lugar, houve a dificuldade de debater com o conjuntos dos CAs e dos estudantes devido à convocatória para o CCA – que veio na quarta-feira, para um debate que ocorreria no sábado. Decisões sobre temas muito importantes como o EnCA (Encontro de Centros Acadêmicos) e o XI Congresso tiveram simplesmente que sair da cabeça dos poucos diretores que estavam presentes, sem ao menos existir a chance de levar essas pautas para os estudantes de seus cursos anteriormente.

Em segundo lugar: a condução do CCA pouco prezou pelo debate e construção coletiva de idéias. Aqueles que estavam presentes puderam ver muitos CAs se abstendo em votações, justificando pela falta de tempo em debater as questões anteriomente; foram feitos, também, muitos pedidos de esclarecimento devido à maneira atropelada com a qual foram decididos determinados pontos.

Além de tudo, a data do XI Congresso (24 a 26 de agosto) foi proposta e aprovada sem nenhum debate profundo. Junto com ela, foi decidida também a data das eleições de delgados: de 11/06 a 19/08, ou seja, nas duas últimas semanas de aula do primeiro semestre e nas duas primeiras semanas de aula do segundo semestre. Qual a real viabilidade de uma eleição de delegados representativa durante as provas finais ou nas duas primeiras semanas de aula, sem nenhum debate prévio? A gestão Não Vou me Adaptar demostra que está menos preocupada com a representatividade desse congresso e mais preocupada em ter setembro e outubro livres para atividades próprias dos grupos da gestão – no caso, as eleições municipais -, sem levar em conta o coletivo e sem pensar nas consequências que isso pode ter para o ME.

Por último, mas não menos importante: A gestão Não Vou me Adaptar quer se perpetuar no DCE até 2013! No CCA de posse, nós, da Universidade em Movimento, quisemos propor a definição data das próximas eleições para o DCE. Achamos importante saber quando elas se realizariam, para que o movimento como um todo possa se organizar. Essa proposta ficou de ser avaliada no CCA seguinte (este do qual falamos, ocorrido no dia 05 de maio), mas, coincidentemente, não estava na pauta.

Por fim, acabamos discutindo de maneira breve a pauta no último CCA. A discussão chegou ao absurdo de integrantes da “Não vou me adaptar” afirmarem que, segundo o estatuto do DCE, a gestão deveria durar um ano, e que se fizéssemos eleições no final de 2012, estaríamos desrespeitando o estatuto; portanto, somente um Congresso de Estudantes poderia deliberar com relação a isso. Afirmaram, ainda que nós é que estaríamos querendo mudar as regras do jogo. A ata do CCA em que foi deliberado o adiamento das eleições é clara e explícita: “tal adiamento se dá em caráter extraordinário e delibera que a eleição para a diretoria de 2013 volte a dar-se no mês de novembro.”. Quem quer mudar as regras no meio do jogo é a gestão Não Vou Me Adaptar.

O último CCA deliberou que o próximo, no dia 20 de maio,  debateria o regimento do XI Congresso e faria um debate “não deliberativo” sobre a data das eleições do DCE. Essa informação não foi incluída na convocatória para a reunião; além disso, a convocatória saiu somente no dia 15,  4 dias úteis antes da realização do CCA. De novo, não é dado tempo suficiente para que os Centros Acadêmicos realizem um debate qualificado sobre as pautas..

Nós queremos que o DCE seja de todos os estudantes. Para isso, é preciso que a gestão pense para além dos próprios interesses.

Propomos, por isso, a revisão da data do Congresso. É preciso que pensemos em uma data que seja melhor para o Movimento Estudantil, e não para um grupo ou outro. Também mantemos nossa posição de que as eleições devem ser mantidas para novembro. Com isso, respeitamos a decisão do CCA que alterou a data das eleições, e continuamos respeitando o Estatuto do DCE, que, no ponto em que versa a respeito das eleições, aponta que é o CCA que deve deliberar sobre o processo eleitoral do DCE.

GRANDE ATO UNIFICADO EM SÃO PAULO – Lutadores e lutadoras, às ruas em 17 de abril!

Nós, do Comitê de Solidariedade ao Pinheirinho, convidamos todos os lutadores e lutadoras, sindicatos, movimentos sociais e partidos políticos a participar, no dia 17 de abril, do ato unificado em defesa da reforma agrária e contra a onda de higienização étnico-social e de criminalização da pobreza e dos movimentos sociais ocorre país afora, particularmente em São Paulo.

Uma onda contra o povo pobre e trabalhador que tem se apoiado em métodos que beiram o fascismo, como o despejo, a remoção forçada e o ataque aos direitos básicos da população mais pobre e marginalizada.

Convocada pelo MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), a manifestação relembra os 16 anos do massacre de Eldorado dos Carajás, quando 21 sem-terra foram mortos pela PM do Pará, a mando do governo do Estado. Até hoje, ninguém foi preso pelo massacre.

Na cidade de São Paulo, a manifestação será no dia 17 de abril (terça-feira) às 14h, em frente ao Tribunal de Justiça (praça João Mendes, centro da capital). Nos incorporamos ao ato por entender que o massacre de Carajás representa a truculência com a qual o Estado brasileiro, em todas as suas esferas,  trata os que se organizam e lutam por uma sociedade mais justa e igualitária.

Uma “justiça” a serviços os ricos e poderosos

Exemplos dessa truculência não faltam: a reintegração do Pinheirinho; a repressão na Cracolândia e na USP; as ações de despejos na periferia; a atuação da polícia contra a população pobre, sobretudo contra jovens e negros. Todos são testemunhos de como a elite brasileira tem tratado o povo pobre e marginalizado deste país.

O local do ato, o Tribunal de Justiça (TJ), também é simbólico: hoje, um dos maiores inimigos dos que lutam é a Justiça, que age sempre em defesa dos ricos. Se por um lado a Justiça é cada vez mais ágil para determinar ações de reintegração de posse, ordenar o fim de greves e criminalizar os lutadores, por outro é lenta e impune quando julga os representantes da elite e as próprias forças do Estado.

O TJ é igualmente omisso no combate à violência contra as mulheres ao não atuar pela implementação da Lei Maria da Penha, sendo cúmplice do assassinato de centenas de mulheres.

O judiciário paulista está submetido aos interesses do governo do Estado e do PSDB, sem qualquer autonomia e independência em sua atuação. O ato também é uma resposta ao brutal avanço de políticas repressoras e elitistas promovidas pelo governo de Geraldo Alckmin.

Somos todos Pinheirinho!

A ação de reintegração de posse da comunidade Pinheirinho, em São José dos Campos (SP), em 22 de janeiro deste ano, despejou quase 2.000 famílias de forma brutal, revelando a verdadeira face dos órgãos que comandam o Estado de São Paulo.

Geraldo Alckmin, a prefeitura de São José, o TJ (presidido por Ivan Sartori) e a Polícia Militar não mediram esforços para organizar uma verdadeira operação de guerra contra a comunidade que ocupava um terreno improdutivo.

Assim, o direito de ter uma moradia foi esmagado para favorecer uma única pessoa: o megaespeculador Naji Nahas, criminoso internacionalmente conhecido, que nunca pagou um centavo de imposto pelo terreno do Pinheirinho, que ficou sem uso desde a aquisição em 1982.

Estado policial

Ação no Pinheirinho não é um fato isolado: faz parte das políticas do governo paulista, em parceria com o poder judiciário, para criminalizar a pobreza e a luta daqueles que se rebelam contra as injustiças sociais.

Exemplo disto foi a ação na Cracolância, na qual a prefeitura da capital e o governo estadual moveram grande aparato repressivo contra pessoas em situação de rua e usuários de drogas, transformando em “questão de polícia” um problema de saúde pública. A violenta operação, totalmente atabalhoada e eleitoreira, foi movida pelo desejo de higienização étnico-social e pela especulação imobiliária na região, alvo do projeto Nova Luz.

Da mesma forma, governo, PM e judiciário patrocinam a repressão na USP, onde dezenas de estudantes e servidores foram presos e processados por lutarem por uma universidade verdadeiramente pública e menos elitista. Uma universidade que, por exemplo, não tente destruir a única entidade de combate ao racismo no seu interior (o Núcleo de Consciência Negra, ameaçado de “despejo”) ou desalojar a comunidade São Remo, localizada nos arredores do campus Butantã.

Tais ações, violentas e militarizadas, são resquícios do período ditatorial (1964-1985), na qual torturadores e criminosos que atuaram na defesa da ditadura que impôs prisão, dor e morte a tantos jovens e trabalhadores que lutavam pela liberdade. Hoje a mesma “justiça”, tem barrado a “Comissão da Verdade”, acobertando tais crimes e negando ao povo seu direito à memória e à verdade. É imprescindível que o governo federal a implemente.

Despejos e mais despejos

Várias outras comunidades na Grande São Paulo estão ameaçadas pelas remoções forçadas, como o Jardim Savoi (Carapicuíba) e Flamenguinho (Osasco), alvos da “urbanização” elitista, patrocinada pela ganância dos especuladores imobiliários.

Na capital paulista, o Jardim Paraná, a Parada de Taipas e áreas vizinhas à Serra da Cantareira podem ser removidas pelas obras do trecho norte do Rodoanel. E, em dezembro passado, a favela do Moinho foi vítima de um incêndio suspeito.

Outras dezenas de milhares de famílias estão sob a ameaça  de projetos irracionais e autoritários da prefeitura paulistana, como os parques lineares e as operações urbanas.

A omissão governo Dilma

Além das remoções promovidas por projetos do governo tucano e da prefeitura, os chamados “Grandes Eventos” (Copa e Olimpíadas) expulsarão de suas casas outras milhares de pessoas por todo país.

O governo federal, ao abrir concessões ao grande Capital, fecha os olhos para isto, do mesmo modo que faz com Belo Monte e com os afetados por obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

O momento econômico é favorável e é preciso que o governo Dilma faça avançar a reforma urbana em São Paulo. O despejo no Pinheirinho, por exemplo, poderia ter sido evitado caso o governo federal houvesse decretado a função social da área. É preciso intensificar a pressão para que seja desapropriada a área de se ponha fim ao sofrimento de seus moradores.

Aumento da violência preconceituosa

Em meio a tal realidade, tem crescido o número de ataques motivados pelo racismo, a homofobia e o machismo, promovidos por grupos neofascistas e setores conversadores, alimentados e incentivados pelo discurso “higienista” e elitista do Estado.

Uma situação potencializada pela recusa, por parte do Estado e seus braços no judiciário, em punir os responsáveis e fazer valer os direitos dos setores marginalizados da sociedade.

Reforma agrária parada

A reforma agrária está parada no atual governo, enquanto o projeto do Novo Código Florestal caminha a passos largos no Congresso. O governo federal não pode dar carta branca para desmatadores promoverem um ataque sem precedentes ao meio ambiente, é necessário que a presidenta vete o projeto.

Em São Paulo, o governo tucano, que também não faz reforma agrária, anistia grandes latifundiários que se apropriaram ilegalmente de fazendas no oeste do Estado e tem perseguido diversas lideranças do MST.

Educação, saúde e transporte não são mercadorias

Eficientes na repressão, o governo paulista e a prefeitura da capital são um verdadeiro fracasso na administração de serviços públicos essenciais, como educação, saúde, saneamento, energia e transporte. Apesar da grande arrecadação de impostos estão sendo precarizados, enquanto os cidadão são tratados como mercadoria.

A saúde e a educação permanecem sucateadas, as escolas e hospitais com infraestruturas precárias e profissionais recebendo salários baixos. Enquanto isso, as terceirizações crescem nas escolas e as OSs (Organizações Sociais), obras de José Serra, tomam conta da rede pública de saúde, o que representa a privatização do SUS.

O transporte público está em frangalhos: enquanto as tarifas sobem acima da inflação, metrô, trens e ônibus ficam mais lotados a cada dia. As falhas na CPTM e no Metrô, resultado da superlotação, da submissão aos interesses da iniciativa privada e da falta de investimento, tornaram-se comuns.

O que fazer?

É preciso dar uma resposta à altura diante de tantos ataques e do completo desrespeito aos direitos humanos e sociais da população.

O ato do 17 de abril será a primeira de muitas manifestações das lutadoras e lutadores, organizados em torno do Comitê de Solidariedade do Pinheirinho, para dizer que não estamos de acordo com o que está acontecendo em São Paulo e no resto do país.

Vamos unificar as lutas para mostrar aos nossos inimigos que somos muitos e somos fortes!  


ENTIDADES QUE COMPÕEM O COMITÊ: ORGANIZAÇÕES E MOVIMENTOS SOCIAIS: Assembleia Popular, Associação Cultural Corrente Libertadora, Brigadas Populares, Coletivo Faísca, Comissão de moradores do Jardim Paraná, CRESS-Conselho Regional de Serviço Social, Consulta Popular, Fórum das Pastorais Sociais, Fórum Popular de Saúde, Liga Proletária Marxista, Frente em Defesa do Povo Palestino, Marcha Mundial das Mulheres, Movimento Mães sem Creche, Movimento Fé e Política de Osasco, Movimento Mulheres em Luta, Movimento Quilombo Raça e Classe, Movimento Nacional Fé e Política, MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), MLB (Movimentos de Bairros e Favelas), MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), MUST (Movimento Urbano Sem Teto) – Pinheirinho, Núcleo de Consciência Negra da USP, Rede Jubileu Sul, Pastoral da Moradia, Pastoral Operária Metropolitana, PCR, POR, PSOL, PSTU, Tribunal Popular.
SINDICATOS E CENTRAIS SINDICAIS: CSP Conlutas, CTB, Fenajuf, Fenasp, Federação dos Trabalhadores em Rádio e TV (FITERT), Intersindical, Oposição Alternativa Apeoesp, Oposição de Correios de São Paulo, Sindicato dos Eletricitários, Sindicato de Trabalhadores Editoras de Livros (SEEL/SP), Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, Sindicato dos Químicos de São José dos Campos, Sindicato dos Radialistas do Estado de São Paulo, Sindicato dos Trabalhadores Metroviários, Sindicato Unificado dos Químicos Campinas, Osasco Vinhedo e Região, Sindicato dos Advogados de São Paulo, Sindsef, Oposição Sinpeem, Sinsprev, Sintaema, Sintrajud, Sintusp, Subsede Apeoesp São Miguel, Subsede Apeoesp Zona Sul, Subsede Apeoesp Lapa, Unidos Pra Lutar.

ENTIDADES ESTUDANTIS
: Assembléia Nacional dos Estudantes – Livre (ANEL), Centro Acadêmico de História da USP, Coletivo Universidade em Movimento (USP), Grupo de História da Unifesp.

Balanço das eleições para o DCE e Representantes Discentes 2012 da USP

Antes de qualquer avaliação sobre as eleições, gostaríamos de agradecer a todas e todos que participaram do processo eleitoral para a diretoria do DCE e RDs de 2012, em especial, àqueles que fizeram campanha, se envolveram, apoiaram e depositaram um voto de confiança na Universidade em Movimento. Sabemos que esse voto representa confiança em nosso programa e, principalmente, na prática cotidiana que desenvolvemos no movimento. Foram 2579 votos, com votações expressivas em diversos lugares (vencemos em 9 cursos e em 3 Campi). Agradecemos e vamos além: mantemos o convite para a construção de um movimento baseado na legitimidade da maioria, a partir das entidades de base (Centros Acadêmicos, Secretarias Acadêmicas, Centrinhos de Curso etc.), que reflita sobre as próprias práticas e tenha foco no debate político aberto. Só assim podemos garantir o crescimento e fortalecimento das nossas lutas. A eleição é apenas mais um capítulo. Para a Universidade em Movimento, todos devem continuar em cena, participando e crescendo na pluralidade, pois é aí que estão a nossa força e a nossa voz para mudarmos a Universidade.

Sabemos que hoje a USP passa por graves ataques, que ameaçam tanto seu caráter público, quanto os que se colocam em sua defesa. Sem dúvida, uma eleição com o maior quórum dos últimos anos e uma expressiva votação (mais de 10 mil votos) em chapas que abertamente defendiam o “Fora Rodas” foi uma importante resposta. Esses votos trazem consigo a luta por democracia na USP, contra a repressão política expressa na PM e, enfim, a luta por outro projeto de Universidade, que não o do Reitor Interventor e seu José Serra. Além disso, o resultado das eleições demonstrou que a chapa Reação, que trazia em seu programa grande acordo com a gestão Rodas, não teve viabilidade eleitoral e que seu discurso, em favor dos projetos da reitoria, não repercutiu entre os estudantes.

Durante as eleições, buscamos fazer frente a este projeto, desejado pela reitoria e pelo governo do PSDB para a USP. Esse projeto, implementado de maneira mais agressiva pela gestão Rodas, traz, por um lado problemas estruturais e de gestão da universidade, como a falta de professores, salas de aula superlotadas, estrutura administrativa que prioriza interesses privados em detrimento da participação da sociedade e uso do dinheiro público para fins particulares. Por outro, ao invés do diálogo, vemos a repressão de quaisquer movimentações políticas, através de prisões, processos, expulsões e grandes operações policiais. Assim, caminhamos para uma USP cada vez menos voltada aos interesses da sociedade e que abriga uma pluralidade cada vez menor de opiniões, minando a reflexão crítica e coletiva, fundamental para a universidade.

Para a Universidade em Movimento, porém, além de identificarmos tal projeto e propormos uma alternativa pública e democrática a ele, precisamos criar as condições para vencermos esta batalha. Isso passa por identificar os erros de nosso movimento e nos reinventarmos. Assim, nossa opção foi, durante a campanha, também pautar outra maneira de construir o movimento estudantil, através de novas práticas, que fortaleçam o movimento como um todo e não apenas um ou outro grupo. Acreditamos na necessidade das Entidades de Base serem protagonistas do movimento, para que cada vez mais estudantes participem, como também acreditamos na necessidade da unidade, baseada no respeito e na confiança.

Nosso maior objetivo é transformar a USP, invertendo suas prioridades, a fim de colocá-la a serviço dos interesses mais amplos e legítimos da população, e só conseguiremos isso com um movimento forte e legitimado entre os estudantes.

Entretanto, nossa opção por criticar os métodos hegemônicos do movimento nos rendeu muitas acusações. Segundo nossos adversários, levantar tais problemas fortaleceria os nossos maiores inimigos, identificados não só na Reitoria, mas também na chapa Reação durante o processo eleitoral. Para nós, por outro lado, não tocar nesses problemas é o que realmente fortalece o sentimento anti-movimento estudantil e impede que nos tornemos mais fortes na nossa luta. Reconhecer os problemas do movimento e propor mudanças para superá-los é essencial para que caminhemos no sentido das conquistas e vitórias.

Entendemos a eleição do DCE como momento fundamental, não apenas por se tratar da escolha da futura gestão da entidade, mas principalmente pelo debate em torno das propostas e avaliações do movimento. Infelizmente, nessas eleições, o debate político foi esvaziado e a política genérica “para a direita não ganhar” se sobressaiu, mesmo quando esse setor não tinha chance alguma.

Inclusive, entendemos que a chapa Reação representou nessas eleições muito mais um sentimento anti-movimento, que um acordo com o projeto implementado pela reitoria. Muitas vezes, esse voto representa mais uma insatisfação com o funcionamento do movimento do que um voto ideologicamente aliado à direita e à gestão Rodas. Atribuir à “chapa da Direita” todas as ameaças ao movimento estudantil e crer que a derrotando teremos automaticamente todas as soluções para nossos problemas é, no mínimo, ilusório. Além disso, isenta o movimento de fazer uma autocrítica qualificada e urgente de suas últimas experiências e de pensar nos motivos reais que levaram ao fortalecimento destes setores que preferem apostar no fim do movimento ao invés da superação de seus problemas. Ainda mais porque a “direita” só cresce e tem eco porque o próprio movimento tem criado o rechaço da maioria dos alunos. E a causa é a maneira como o movimento vem sendo construído, favorecendo a autoconstrução dos grupos, não dando condições para o protagonismo das Entidades de Bases e ignorando as demandas dos estudantes. Derrotar eleitoralmente a Reação é uma conquista de todo o movimento estudantil e um passo importante, porém pequeno perto do desafio de barrar o projeto em curso na nossa Universidade.

Essa lógica hegemônica no movimento estudantil, que só faz abrir espaço para o conservadorismo, foi expressa também durante a apuração das eleições. Lamentamos profundamente o comportamento dos companheiros da chapa “Não Vou Me Adaptar” nessa ocasião. As palavras de ordem servem para dar voz ao movimento quando ele vai unido para a rua se manifestar. Porém, neste caso foram utilizadas de maneira provocativa, desrespeitosa e personalista. Tratou-se de uma agressão gratuita, de quem confunde unidade com adesão, voto com propriedade, entidade com grupo e adversário com inimigo. Essa crítica não pode deixar de ser feita, porque é justamente o prevalecimento desse tipo de prática no interior do movimento uma das principais causas do nosso isolamento e das derrotas que temos sofrido. Tal comportamento – que não foi exclusividade do momento da apuração, ocorreu em toda a campanha – contrasta inclusive com o discurso que os companheiros fizeram quando passavam em sala durante a campanha, em que se colocavam como a expressão da unidade do movimento.

Esperamos que a nova gestão se esforce para mudar esse tipo de prática e tenha sucesso. É fundamental que ela seja construída de maneira coletiva e potencialize os legítimos espaços dos estudantes, Estaremos ativamente envolvidos na construção do movimento, da mesma forma como estaremos dispostos a contribuir com a gestão e fazer a crítica de forma construtiva, sempre que necessário. Consideramos fundamental que o DCE garanta a realização do Encontro de Centros Acadêmicos (EnCA) e de Conselhos de Centros Acadêmicos (CCAs) mensais, assim como esperamos que o XI Congresso dos Estudantes da USP, o mais importante espaço deliberativo do movimento, seja construído.

Pelo fim do convênio USP-PM e da repressão e criminalização dos movimentos sociais! Pelo fim dos processos criminais e administrativos! Pelo fora Rodas! Por uma estatuinte livre e soberana! Por um movimento amplo, de estudantes, professores e servidores técnico-administrativos. Por uma universidade mais mulher, mais negra, mais popular, mais democrática, mais participativa e transformadora. Por tudo isso, seguiremos na política de colocar a Universidade em Movimento!

Esclarecimento a respeito de pronunciamento da chapa Universidade em Movimento no debate entre chapas do DCE organizado pelo CAF – Centro Acadêmico de Filosofia, da FFLCH.

Nós, da chapa Universidade em Movimento, vimos por meio desta nota esclarecer nossa posição a respeito do que foi dito no debate entre chapas organizado pelo CAF.

Felizmente – porém não graças à maioria das chapas – a discussão a respeito da situação da mulher dentro e fora da Universidade vem permeando grande parte dos últimos debates entre chapa.

No último, fizemos uma pergunta relativa ao assunto à chapa Não Vou Me Adaptar, tendo em vista que em sua carta programa reivindicam a Frente Feminista e a luta contra opressões em geral.

Perguntamos: 1) Como eles iriam construir a Frente Feminista se os setores que compõem a chapa não a construíram e praticamente não construíram o I Encontro de Mulheres da USP; 2) Se tal posição era fruto de uma auto-crítica, tendo em vista o item 1; 3) Como iriam construir a luta contra as opressões se em lugares como São Carlos, setores da chapa Não Vou Me Adaptar (mais especificamente o MES (Movimento Esquerda Socialista, ou Juntos!), uma das correntes do PSOL) conseguem votos justamente com apoio de estudantes da Atlética e do GAP (Grupo de Apoio à Putaria), grupos que organizam o Miss Bixete durante a calourada.

O Miss Bixete é um evento em que se contrata uma prostituta para ficar em cima do palco do CAASO (Centro Acadêmico que representa o campus de São Carlos) com uma camiseta escrito “Arquitetura” (já que é o curso com mais mulheres, e um dos primeiros a boicotar o Miss Bixete), coagindo calouras a fazerem como ela e tirarem a camiseta.

O Coletivo de Mulheres do CAASO, o qual temos muito orgulho de construir – mas que é sumariamente ignorado e boicotado pelas e pelos companheiros do MES -, já faz, há pelo menos 4 anos, intervenções no Miss Bixete. Este ano, uma das intervenções foi com uma música, que dizia “a cada 20 segundos, uma mulher é espancada”.

Citamos essa música pois a resposta que se ouviu dos estudantes que participavam do Miss Bixete foi: cantavam a mesma música, e logo em seguida davam tapas na bunda de colegas.

Nesse sentido, temos certeza que é extremamente importante, e nosso dever enquanto feministas, que cobremos coerência das companheiras e companheiros, que se dizem de esquerda, e que se dizem os melhores para estar à frente de nosso DCE no ano de 2012.

Para além desses fatores, quando foi feita a pergunta no debate entre chapas, recebemos a seguinte resposta do debatedor da Não Vou me Adaptar: “nossa luta prioritária é contra a direita, depois discutimos outras questões”. Caso haja alguma dúvida, ao menos 100 pessoas estavam lá no momento e escutaram tal declaração.

Nós sabemos que muitos grupos de esquerda secundarizam a pauta feminista, que a colocam com uma pauta menos importante frente ao “mal maior” (a luta de classes – como se uma coisa estivesse separada da outra). Nunca imaginamos que escutaríamos isso com todas as letras, com tanta clareza, e de maneira tão cínica, de militantes que dizem lutar pelos direitos das mulheres.

Como se dá a luta contra a direita, afinal? Da maneira como falam, não lutaremos por nada que não seja o combate abstrato à direita que tanto pregam. Não lutaremos por permanência estudantil, porque isso não é, teoricamente, combate à direita. Não lutaremos por cotas raciais e sociais porque isso não bate diretamente na direita.

O que bate na direita, então?

A luta pela descriminalização e legalização do aborto, contra a Frente Parlamentar contra o Aborto, não é uma luta contra a direita? Não é uma forma de combate aos setores mais conservadores e retrógrados de nossa sociedade?

Como esse grupo, que se diz de esquerda e inserido nas lutas sociais, pretende combater a direita se não consegue aplicar esse programa de combate na realidade concreta do povo brasileiro?

Agora, estamos sendo acusados de calúnia. Dizem que afirmamos que o MES contratou prostitutas em São Carlos (uma militante do MES, inclusive, após o debate, foi atrás da debatedora da UeM ameaçá-la, aos gritos, afirmando isso, tendo nossa militante que ser praticamente escoltada). O que dissemos foi que a chapa Não vou me adaptar é eleita COM APOIO dos grupos que organizam o Miss Bixete. E isso, companheiros, não é uma calúnia, é uma realidade.

Dizem, agora, que esse “não é um debate político”. Gostaria que nos dissessem o que é mais político do que debater com base na realidade. Não adianta nada lermos tudo o que foi escrito sobre feminismo se não conseguimos aplicá-lo em nossa realidade.

Infelizmente, o que vemos por parte do grupo criticado não é nenhuma ação referente ao combate ao machismo. Para além da não participação nos espaços da Frente Feminista, o CAASO (do qual o MES/Juntos! é parte da diretoria) ainda cedeu seu espaço para a realização do Miss Bixete e criticou o Coletivo de Mulheres por fazer intervenções no evento. Para nós, se não há combate, compactua-se. E, para nós, compactuar com o machismo é compactuar com a direita que tanto dizem combater.

Esperamos, com essa nota, esclarecer nossa colocação no debate entre chapas, e evitar distorções oportunistas que têm como objetivo único despolitizar o debate e colocar o setor criticado como “coitado”.

O debate feminista é prioritário para nós, e ele é, sim, político; e, se depender de nós, ele continuará a ser feito exaustivamente, até que consigamos extinguir o machismo de nossa sociedade, dentro e fora da esquerda.

Universidade em Movimento

Funk da Universidade em Movimento

A USP é elitista e o povo é que se fode! O Rodas é mó playboy!

Vamo lá! Demorô!

Ôoo, o movimento chegou, articulando a estudantada contra a PM e o reitor! (2x)

Agora virou moda mandar policial, pra bater em todo mundo reprimir e coisa e tal (2x)

Acontece na USP e também no Pinheirinho. Truculência da PM não se combate sozinho (2x)

O Rodas toca a USP como a sua fazenda, fazendo o que bem entende e usando da violência (2x)

Para todos juntos criarmos um novo tempo, a universidade tem de estar em movimento (2x)

Ôoo, o movimento chegou, articulando a estudantada contra a PM e o reitor!
Ôoo, o movimento chegou. É, na USP e em São Paulo vamo meter o terror!

Como combater a direita no Movimento Estudantil?

Muito se tem falado sobre como devemos deixar as “disputas fratricidas” de lado e prezar pela unidade neste momento das eleições para que não deixemos que a direita vença. De fato a unidade é necessidade urgente, no movimento estudantil e para além dele, assim como é certo que não queremos uma gestão do DCE que represente os interesses da Reitoria e do governo de SP e não dos estudantes. Entretanto é importante que nos aprofundemos sobre a questão, para desmistificamos o argumento do “voto útil conta a direita”.

A primeira coisa que nos perguntamos, é: por que deveríamos fazer voto útil na chapa “Não vou me adaptar” para barrar a direita se a causa de seu fortalecimento é justamente a prática de grupos como os que compõem a chapa?

O argumento apresentado para justificar a “unidade” é a necessidade de barrar a direita nas eleições. Ora, se queremos realmente barrar a direita, é preciso que façamos isso politicamente e não apenas eleitoralmente. Vale lembrar que no último período, o que prevaleceu não foi o trabalho de base e fortalecimento das entidades e do movimento, mas o sectarismo e a autoconstrução. Não foi também a construção de atividades unitárias do movimento como o Encontro de Centros Acadêmicos (EnCA) e o Encontro de Mulheres Estudantes (EME), mas a priorização de pautas e espaços que serviam apenas aos grupos. De que serve combater a direita nas urnas se não o fizermos ao longo do ano, construindo o movimento?

O suposto perigo de a direita ganhar o DCE justificaria a incoerência de uma unidade meramente eleitoral. No entanto, a direita já esteve mais forte (em 2009, quando realmente quase levou as eleições) e nenhum dos grupos, que hoje clamam pela unidade, levantaram essa questão. Esse argumento não tem base real. Trata-se de um discurso repetido à exaustão de maneira a esvaziar o conteúdo político do debate. Uma tentativa de generalizar um sentimento de medo, a fim de fazer passarem batidas as falhas do movimento e a incoerência dessa aliança.

Como afirmamos em nossa resposta ao chamado de unidade, a direita cresce no movimento estudantil porque há um vazio político deixado pelo DCE. Isso acontece porque, infelizmente, a maior preocupação das últimas gestões tem sido a de construir os grupos que as compunham. Em 2009, o PSTU (“A USP que queremos”, mas, na época, “Nada Será Como Antes”), não poupou esforços em construir o CNE – Congresso Nacional de Estudantes -, que fundou a ANEL, campo político do partido. Aliás, vale lembrar que o mesmo grupo, enquanto gestão do CAELL – Centro Acadêmico do curso de Letras -, não fez outra coisa a não ser autoproclamar-se, a ponto de muitos estudantes pensarem que a ANEL e o CAELL eram a mesma coisa. Nos outros anos, mas principalmente em 2011, o MES – agora “Juntos!” – não poupou esforços em fazer propaganda de si próprio. Enquanto DCE, convocaram diversas atividades (como o “15.O”), porém, iam às atividades enquanto “Juntos!”. Assim, o DCE simplesmente desaparecia no meio das camisetas e cartazes do grupo.

Apesar de prezar pela unidade, tais grupos não se preocuparam também em realizar uma atividade de divulgação da chapa no mesmo momento de uma atividade da Calourada Unificada, outro espaço do movimento estudantil, que deveria ser unificado.

Outra causa do fortalecimento da direita é a forma espontaneísta e inconsequente de atuação de alguns setores do movimento estudantil, que compõe ou compunham a “27 de Outubro”. Esta forma de atuação não faz nada além de dividir o movimento e dar mais forças para a reitoria nos atacar. Acham que a única saída é a ação direta e acabam por tomar atitudes suicidas, como votar greve em assembleias de curso esvaziadas, ou a própria ocupação da Reitoria, com o movimento rachado.

Ante a ameaça da direita, temos uma alternativa: o trabalho de base, o fortalecimento das entidades estudantis (CAs, DCE) e de seus fóruns. Desde o início de nossos debates, que culminaram na formação da chapa Universidade em Movimento, é o que temos pautado. É fundamental nesse momento sermos capazes de coesionar o movimento e somar forças para fazer frente aos ataques da reitoria. Todos afirmam serem contra o sectarismo e que é preciso unidade no movimento. Pois bem, isso se faz na prática, não com chamados ou manifestações de “apoio crítico” completamente vazias de conteúdo político.

Ignorar que existe um problema no movimento estudantil seria, mais uma vez, empurrar a situação com a barriga. Derrotamos a direita nas urnas agora e, no próximo ano, ela estará mais forte. A solução não está nas urnas: é preciso que acabemos com os vícios do movimento estudantil, que têm sido os maiores responsáveis pelo fortalecimento da direita.

Estamos aqui para fazer um movimento com todos. Um movimento que mobilize maiorias, e não que mobilize minorias. Estamos contra a Reitoria e contra a Reação, mas para essa luta precisamos ir pra além de um movimento que mobiliza apenas vanguardas, incapaz de massificar as lutas.

Nossa chapa conta com membros e apoiadores em vários campi da USP. Temos condições reais de ganhar as eleições e vamos lutar para isso. Não somos um agrupamento composto por interesses meramente eleitorais. Mais do que isso, nosso objetivo é contribuir para uma outra lógica de movimento estudantil, forte, coeso, pautado pelos estudantes, que acumule vitórias e não derrotas. Só assim conseguiremos fazer frente aos desafios impostos.

Um projeto de Universidade

Muito se tem falado sobre os acontecimentos da Universidade: fechamento de cursos, diminuição de vagas, estudantes sendo processados, funcionários terceirizados sem receber, cursos pagos, cursos à distância… mas a grande questão é: o que uma coisa tem a ver com a outra?

Muitos já ouviram inúmeros alunos, professores e funcionários afirmando que se trata de um “projeto de universidade”, mas que projeto é esse?

Bom, para isso, é preciso que façamos uma breve reflexão sobre as políticas educacionais mundiais, para depois passarmos às políticas brasileiras e do Estado de São Paulo em específico. Comecemos citando Libâneo, Oliveira e Toschi:

“As atuais políticas educacionais e organizativas devem ser compreendidas no quadro mais amplo das transformações econômicas, políticas, culturais e geográficas que caracterizam o mundo contemporâneo. Com efeito, as reformas educativas executadas em vários países do mundo europeu e americano, nos últimos 20 anos, coincidem com a  recomposição do sistema capitalista mundial, o qual incentiva um processo de reestruturação global da economia regida pela doutrina neoliberal. Analistas críticos do neoliberalismo identificam três de seus traços  distintivos: mudanças nos processos de produção associadas a avanços  científicos e tecnológicos, superioridade do livre funcionamento do mercado na regulação da economia e redução do papel do Estado”.(LIBÂNEO, OLIVEIRA, TOSCHI,  2008, p. 33)

Existem inúmeras organizações internacionais responsáveis pelas diretrizes educacionais tomadas pelos países, como a Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional (FMI), Unesco, entre outras. Essas diretrizes estão afinadas com o discurso neoliberal, discurso este que tem como principal ponto a diminuição da presença do Estado na  regulação da vida social, ou seja, dos serviços públicos. Dentre eles, a educação.

Nesse contexto, de políticas neoliberais, é que foram elaborados a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996 (LDB/1996) e o Plano Nacional de Educação (PNE), além das diretrizes curriculares, normas e resoluções do Conselho Nacional de Educação (CNE), e  é  nesse contexto que devemos analisar os não tão recentes acontecimentos da Universidade de São Paulo.

O Brasil tem sua guinada neoliberal com o governo Collor (1990 – 1992), e seu ápice com os governos FHC (1995 – 2003). Apesar do grupo deste último [1] haver perdido as eleições no âmbito federal, continua suas políticas neoliberais de educação no âmbito estadual, em São Paulo, principal reduto político do grupo. Na USP, essa política é colocada principalmente pelo discurso de “modernização da universidade”, adotado principalmente por nosso atual reitor, João Grandino Rodas.

A “modernização” contida no discurso da reitoria baseia-se principalmente em 1) flexibilização de captação de recursos financeiros, que se dá pela intensificação da proliferação de fundações; criação de cursos pagos, processo que se iniciou com a criação de curso de administração com mensalidade em torno de R$2.000, da FIA; 2) terceirização de quadros de funcionários, como os da limpeza; 3) priorização de cursos com interesses empresariais; 4) adaptação de cursos de baixo interesse empresarial às “regras do mercado”, como a criação de matéria de “História Empresarial” na FFLCH ou mesmo redução de vagas de alguns cursos para “criação de demanda”; 5) cursos à distância, pregando uma suposta “inovação tecnológica” a serviço de uma suposta “democratização do ensino”

Em um primeiro momento, esses fatores podem ser vistos, ingenuamente, com bons olhos, porém, trata-se de um cavalo de tróia que mina os fundamentos da gratuidade e autonomia da escola pública, inclusive assinando em baixo de práticas que vão na contramão dos direitos trabalhistas, como é a terceirização, esquivando-se da responsabilidade em sua administração (tal qual a ausência do Estado pregada pela ideologia neoliberal).

“As reformas liberais da educação são, portanto, duplamente guiadas pelo papel crescente do saber na atividade econômica e pelas restrições impostas pela competição sistemática das economias. As reformas que, em escala mundial, pressionam para a descentralização, para a padronização dos métodos e dos conteúdos, para o novo “gerenciamento” das escolas, para a “profissionalização” dos professores, são fundamentalmente “competitivity-centred”. A escola que antigamente encontrava seu centro de gravidade não somente no valor profissional mas também no valor social, cultural e político do saber, valor que era interpretado, de resto, de maneira muito diferente segundo as correntes políticas e ideológicas, está orientada, pelas reformas em curso, para objetivos de competitividade que prevalecem na economia globalizada. Deve-se medir bem a ruptura que se opera. A escola, na concepção republicana, era o lugar que devia contrabalançar as tendências dispersivas e anômicas de sociedades ocidentais cada vez mais marcadas pela especialização profissional e a divergência de interesses particulares. Ela era principalmente voltada à formação do cidadão, mais do que à satisfação do usuário, do cliente, do consumidor”. (LAVAL,  2004, p. XIII)

O reitor é um preposto do governo do estado com o fim de aplicar as políticas do grupo no poder. Não podemos esquecer que a USP tem certa autonomia frente ao governo do Estado, por isso, é necessário que o grupo governante tenha um agente afinado às suas políticas dentro dela, alguém que não hesitará em violar os princípios históricos do que seja uma universidade em função da aplicação do projeto neoliberal de educação de seus patrões. Porém, o reitor não é o único encarregado pela implantação dessas políticas na Universidade. O Conselho Universitário (CO) é formado, em grande parte, por professores favoráveis a esse projeto, além de existirem, na universidade, outros setores que compactuam com esses ideais, por diversas razões, que vão desde afinidade ideológica até o mais raso oportunismo.

Tudo isso demonstra, desde o nível internacional até o nível local, a importância de se contrapor a esse projeto, criado por um grupo fanaticamente neoliberal, que não atende a interesse algum a não ser o de seus integrantes e agregados. Na USP, contrapor-se a esse projeto significa combater as reformas que João Grandino Rodas e seus sequazes insistem em patrocinar, seguindo as diretrizes de seus patrões do Governo de São Paulo.

Notas:

[1] Aqui, optou-se por não citar o partido do ex-presidente (PSDB) por entendermos que o grupo responsável pela implementação desse projeto neoliberal é muito mais amplo. Outros setores, direta ou indiretamente, participam desse processo, constituindo um grupo inclusivo multifacetado.

Bibliografia consultada:

LAVAL. Christian. A escola não é uma empresa – o neoliberalismo em ataque ao ensino público, Editora Planta, 2004.

LIBÂNEO, José Carlos; OLIVEIRA, João Ferreira de; TOSCHI, Mirza Seabra. Estrutura e Organização da Educação Brasileira, São Paulo, Cortez, 2008

Maria Júlia é estudante de Letras na FFLCH/USP

NOTA SOBRE O BOLETIM USP Destaques n. 56

Tendo em vista a divulgação, pela Reitoria da Universidade de São Paulo, de informações falsas a respeito dos alunos vitimados com expulsão do corpo discente da USP em dezembro do ano passado, na condição de advogado da maioria deles, vejo-me do imperativo de esclarecer a manipulação da verdade perpetrada:

O boletim “USP Destaques”, n. 56, de 9 de março de 2012, editado pela Assessoria de Imprensa da Reitoria, em quadro destacado com o título “Sobre ações de alunos desligados por invasão do Bloco G da Coseas impetradas na Justiça”, lança mão de inverdades para tentar justificar a eliminação de alunos, afirmando diferentemente do que se tratou no processo administrativo instaurado contra eles.

Embora me abstenha aqui de tecer comentários sobre algumas dessas afirmações em virtude de já estarem sendo discutidas em juízo, com relação a uma delas, pela qual se busca inovar no campo fático, impõe-se repelir e demonstrar a artimanha empregada e a aleivosia que disso decorre.

Afirma a Reitoria, por sua assessoria de imprensa, naquele citado boletim:

“O processo administrativo disciplinar, concluído em dezembro do ano passado,não apurou simplesmente a ocupação, mas sim outras ações graves, como desaparecimento de prontuários com informações sigilosas da saúde e da família de alunos da Universidade e de crianças e adolescentes alunos da Escola de Aplicação, além de desaparecimento e danos de patrimônio público.”

O processo administrativo a que faz referência o boletim USP Destaques n. 56 foi instaurado mediante a portaria GCC-06, de 26 de março de 2010, expedida pela Profa. Dra. Rosa Maria Godoy Serpa da Fonseca, Coordenadora de Assistência Social da Universidade de São Paulo, que dizia considerar:

“- a invasão e ocupação das dependências da Divisão de Promoção Social da Coordenadoria de Assistência Social (…), ocorrida no dia 18 de março de 2010, por volta das 1h15min. nos termos do Boletim de Ocorrência n. 861/2010, do 93º Distrito Policial;”

Vê-se, portanto, que não é verdade a afirmação da Reitoria de que outros fatos, igualmente mendazes, tivessem sido atribuídos aos alunos submetidos à perseguição administrativa, e que tivessem sido objetos de apuração.

Mesmo porque o Estatuto dos Funcionários Públicos Civis do Estado de São Paulo, em que se buscou o procedimento adotado pela Comissão Processante, dispõe, no artigo 277, que processo administrativo será instaurado por portaria, e que,

§ 1º – Da portaria deverão constar o nome e a identificação do acusado, a infração que lhe é atribuída, com descrição sucinta dos fatos, a indicação das normas infringidas e a penalidade mais elevada em tese cabível.

Tendo, portanto, a Portaria inicial do processo administrativo limitado a acusação à ocupação do prédio da COSEAS, não poderá a Reitoria, agora, acusar os alunos pelos fatos que lançou no boletim 56.

Assim limitado na origem, o processo administrativo mostrou sua limitação também no seu ato final, quando cumpriu sua missão de recomendar a punição dos alunos, afirmando serem “verdadeiros os fatos que lhe são imputados quanto a invasão e ocupação das dependências da Divisão de Promoção Social da COSEAS no dia 18.03.2010, como se pode comprovar das imagens anexas (preservadas outras pessoas).

É, portanto, como se vê, a própria Comissão Processante que denuncia a falsidade do que diz a Reitoria da USP em seu boletim USP Destaques.

Tem, porém, um objetivo o intento daquele Boletim. É que a punição imposta aos alunos, sobre não ter sido devidamente motivada, foi evidentemente exacerbada, ainda que se admitisse, para fins de argumentação, que alguma sanção fosse possível. E já antevê a Reitoria, na decisão concessiva da liminar que lhe tira o sono, o reconhecimento da nulidade de todo o processo administrativo, motivo pelo qual tenta, agora, pendurar novas acusações nos pescoços de seus bodes expiatórios.

Sabemos que a manchete principal de uma publicação deve guardar relação com seu conteúdo.

Encima a primeira página do boletim USP Destaques 56, a frase “A democracia na USP”. Relacionando essa manchete principal com as afirmações que se vem de examinar, chegamos a uma conclusão inarredável:

A democracia na USP é uma mentira!

Aton Fon Filho – advogado

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