Nota do Coletivo Universidade em Movimento sobre a agressão contra aluno da USP pela PM

Não é de hoje que a Universidade de São Paulo tem problemas. Não é de hoje que sua estrutura é altamente anti-democrática, e nem é de hoje que o aparato policial é utilizado para vigiar os estudantes que participam ativamente dos processos políticos da Universidade.

Porém, o ano de 2011 foi especialmente atribulado: tivemos uma atuação completamente desnecessária da PM contra três estudantes que usavam maconha (20 viaturas para três alunos); a desocupação da reitoria, feita por 400 policiais (incluindo Tropa de Choque, GATE, cavalaria…), que terminou na prisão de 73 estudantes; e a expulsão de 6 estudantes da USP, por “ferirem a moral e os bons costumes”.

Em 2012, Rodas já demonstrou que a dinâmica não será muito diferente. No dia 09 de janeiro, em operação de desocupação da sede do DCE (localizada ao lado do Bandejão Central), mais uma vez foi possível presenciar a ação truculenta da Polícia Militar do Estado de São Paulo.

A desocupação do espaço do DCE já é, por si só, um ataque, posto que se trata de um espaço estudantil, que deveria ser autônomo. Porém, a situação piora com a presença da Polícia Militar, pois evidencia que não há vontade alguma de diálogo por parte da reitoria.

Um dos estudantes que ocupavam o lugar, Nicolas Menezes Barreto, do curso de Ciências Naturais (EACH), foi agredido pelo sargento André Luiz Ferreira, que chegou a apontar uma arma de fogo para o aluno. O sargento havia questionado se Nicolas era estudante da USP e exigiu sua documentação, ao que o aluno respondeu que bastava sua palavra.

Gostaríamos de enfatizar que, ainda que Nicolas não fosse aluno da USP, nada justifica a agressão policial, sobretudo porque a Universidade é um espaço público, e não deve ser exclusividade daqueles que passaram no vestibular.

Além do mais, vemos nesse caso uma clara demonstração de racismo, pois o estudante abordado (e agredido) foi justamente o único estudante negro presente. Não foi necessário que os brancos comprovassem seu vínculo com a Universidade. O negro, porém, é “bandido até que se prove o contrário”.

O ocorrido foi registrado em vídeo (parte 1 e parte 2), e ilustra bem o papel que cumpre a Polícia Militar no campus: não para garantir a nossa segurança, mas para garantir a manutenção de um projeto de Universidade que só serve aos interesses da reitoria e de uma elite por ela representada.

Nós, do coletivo Universidade em Movimento, nos colocamos veementemente contra a agressão que ocorreu, bem como todas as arbitrariedades cometidas pela reitoria e pela PM, dentro e fora da USP. Estaremos lado a lado com todas e todos que lutam por uma Universidade pública, gratuita, inclusiva e de qualidade, que atenda às demandas da população, e que seja um espaço que preze pelo livre pensar.

Lutar não é crime!

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Publicado em 12/01/2012, em Nossos textos, Posicionamentos e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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