A imagem da segurança

Reflexões desencadeadas pelo debate sobre a presença da PM no Campus.

O que causa insegurança?

Ruas desertas ou cheias de gente? Praças escuras ou bem iluminadas? Noites frias ou dias quentes?
Será que nos sentimos tão seguros em casa quanto na rua? Mesmo assim, deixamos de sair de casa por causa do medo? A insegurança de nossas ruas é um impeditivo quando pensamos em sair de casa? O que a mídia tem a dizer?

Até hoje viemos enfrentando essas adversidades diariamente. Sabemos dos riscos, a rua é perigosa, a casa não. E mesmo assim nós saímos de casa todos os dias para enfrentar os perigos das ruas desertas, das praças escuras e das noites frias. Se te disserem: “A partir de agora fique em casa! ”, tu acatarias sem pestanejar? E por que questionaria? Afinal, segurança é importante, não é?

Mas será que vale a pena deixar tudo de lado pela segurança? Ou será que o tipo de segurança importa?
Vejamos: o que quero é segurança que me proteja dos males do mundo, mas que não me sufoque em um pequeno cubículo. De cubículos já chega a casa, o trabalho, a sala de aula.
Na rua, ao ar livre, quero a liberdade de ser eu mesmo. De andar como quiser, por onde quiser, com quem quiser. Claro que quero sentir-me seguro! Mas seguro na liberdade da escolha, não no confinamento das regras. Não preciso ser tratado como uma criança! Deixe-me subir na árvore, correr na grama, debruçar-me no parapeito da janela. Já fiz isso incontáveis vezes! Por que, em nome da segurança, devo deixar de ser e fazer o que gosto? Não! Se for essa a segurança que me ofereces, amigo, não obrigado! Não quero a segurança das regras e das câmeras.

Homens fardados até me trazem segurança, porém as custas da liberdade. Não quero uma comunidade universitária estagnada, calada em nome de uma segurança incerta. Quero uma alternativa de segurança que iniba violências e preconceitos, deixando aqueles, que querem e precisam falar, sem mordaças nas bocas e roxos nos braços! Deve haver alguma alternativa!

Será que essa tal de PM é segurança ou é meramente a imagem dela? Haverá diferença?
Quando peço a PM, procuro realmente a PM ou somente a imagem que ela representa?
E será que essa imagem possui lastro ou seria apenas como um cachimbo numa tela – isto não é um cachimbo (é só uma tela, abra os olhos!) – assim como aquilo não é segurança?
Quando peço pela PM, por que não peço pela Polícia Federal, ou pela Polícia Civil, ou pelo BOPE (se já chegamos a esse nível) ou pela Guarda Universitária? Não são todos policiais? Será que FORA PM é o mesmo que FORA SEGURANÇA?

E será mesmo que uma polícia que se orgulha de exterminar Farrapos, destruir Canudos, protagonizar massacres, matar os jovens em uma Guerra Mundial e apoiar duas Ditaduras é o que há de melhor em matéria de segurança para esta Universidade, este estado, ou mesmo este País? Será que quando clamamos por uma Universidade livre de PM não estamos sendo egoístas por consentir que esta instituição embriagada de ego aja sem limites no resto deste indefeso país, que nem sabe quem é seu algoz?

Pensemos…

Anúncios

Publicado em 06/11/2011, em Textos de apoio e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: